Esse ano eu só vou ler livros escritos por mulheres

O meu livro preferido é A Redoma de Vidro, da Sylvia Plath.

Na infância e adolescência, eu passava boa parte do meu tempo enfiada em algum exemplar de Harry Potter, escrito por J.K. Rowling. Ainda assim, quando paro para pensar nos livros que li na vida, vejo uma predominância masculina na autoria das obras. Nós nos acostumamos a ver sempre uma maioria esmagadora de homens em posições de destaque em diversas áreas, seja nas artes ou na política.

As autoras aprendem desde cedo que para ter alguma chance de suceder, elas precisam ser muito melhores do que os homens, enfrentar machismo em todas as etapas e desconstruir o papel que espera-se delas nas decisões criativas. Isso é  desencorajador para jovens escritoras.  Até J.K. Rowling, hoje em dia a escritora mais rica do mundo, no início da carreira precisou mudar sua assinatura – Joanne Rownling – porque a editora insistiu que meninos não leriam um livro escrito por uma mulher.

Assim como durante muito tempo as mulheres não podiam votar, havia obstáculos também no mundo das letras. Elas só eram alfabetizadas para fins de etiqueta e enviar convites de casamento, e dependiam do pai ou marido para ter acesso a livros. A vida era restrita ao âmbito familiar, com poucas possibilidades de seguir uma carreira, menos ainda de poder escrever suas próprias histórias.

Ainda hoje a literatura de autoria feminina não tem a mesma visibilidade que a masculina. Muitas autoras são obrigadas a ver suas obras publicadas com capas floridas, cor de rosa e completamente descontextualizadas escolhidas pelas editoras, apenas pelo fato de serem mulheres. Sabem que muitas vezes vão ser julgadas pela aparência em detrimento da qualidade da sua escrita.

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Está na hora de pararmos de usar o termo chick lit para designar livros escritos por mulheres sobre mulheres. Quando um autor escreve sobre questões masculinas, isso é chamado de livro.

Nós, leitores, somos parte importante de uma mudança que  precisa acontecer. Por isso resolvi que irei dedicar esse ano exclusivamente às obras escritas por autoras.  Até agora passei por Carol, de Patricia Highsmith,  Cheio de Charme, de Marian Keyes. Estou terminando 3096 dias, relato de Natasha Kampusch sobre os oito anos que passou em cativeiro.

Os próximos são Poética, de Ana Cristina Cesar, livro do mês do clube de leitura Leia Mulheres, A Cor Púpura e All About Love: New Visions, da Bell Hooks, indicações de outro clube do livro feminista, o Our Shared Shelf da Emma Watson. A lista dos que eu ainda quero ler é longa. Claro que nunca deixarei de ler livros escritos por homem, mas senti necessidade de tirar esse tempo para explorar mais a literatura de autoria feminina. Longe de limitar, acho que esse recorte de gênero abre um mundo de possibilidades. Há uma grande diversidade de gêneros, vivências e