Quem fez a minha roupa? #fashionrevolution

Post um pouco atrasado, mas eu não poderia deixar de falar um pouco sobre o Fashion Revolution Day. O movimento foi criado por um conselho global de líderes da indústria da moda sustentável que se uniram depois do desabamento do edifício Rana Plaza – que abrigava diversas fábricas de roupa –  em Bangladesh (local no dia 24 de abril de 2013 que deixou 1.133 mortos e 2.500 feridos.

De acordo com o site oficial, a campanha surgiu com o objetivo de aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto em todas as fases do processo de produção e consumo, mostrando ao mundo que a mudança é possível através da celebração dos envolvidos na criação de um futuro mais sustentável e criar conexões exigindo transparência.

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No Brasil, foram realizados eventos durante toda a semana, como seminários, palestras, campanhas nas redes sociais entre os dias 24 e 30 de abril. Estudantes de moda, por exemplo, se reuniram para discutir formas de inserir essa conscientização no meio em que atuam.

Muitas vezes nos deparamos com preços SUPER baratos em lojas da fast fashion (como a Forever 21), mas o custo disso pode ser a vida de alguém. São diversos casos de trabalho escravo encontrados em países como Índia, Turquia e China. No ano passado, por exemplo, foi denunciada na Turquia uma fábrica que abrigava refugiados da Síria, que trabalhavam em condições de escravidão e produziam roupas para lojas de departamento britânicas.

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Recomendo muito o documentário The True Cost (O custo real), disponível da Netflix., dirigido por Andrew Morgan. O filme retrata a realidade da cadeia de produção das lojas de fast fashion: enquanto as empresas ficam BILIONÁRIAS, os trabalhadores das confecções em países pobres vivem sob condições precárias, recebendo quase nada.

É importante se informar e repensar a forma como consumimos. Investigar a origem das roupas que usamos, comprar menos, visitar brechós e comprar direto de quem faz são algumas das maneiras de praticar a moda consciente.

SAIBA MAIS:

Fashion Revolution Brasilhttps://www.facebook.com/fashionrevolution.brasil

http://fashionrevolution.org/

Modefica – http://www.modefica.com.br/

App Moda Livre – https://play.google.com/store/apps/details?id=br.org.reporterbrasil.modasemescravos&hl=pt_BR

https://itunes.apple.com/br/app/moda-livre/id768062605?mt=8

Minha entrevista com a Nuta do GWS – https://blogminhajanela.com/2016/12/01/conversando-sobre-slow-fashion-com-nuta-vasconcellos/

Slow Down Fashion – https://www.slowdownfashion.com.br/

Review Slow Living – http://reviewslowliving.com.br

 

 

 

Conversando sobre Slow Fashion com Nuta Vasconcellos

Em uma época na qual as tendências vêm e vão em um piscar de olhos, o slow fashion surge para nos fazer repensar nossos hábitos de consumo. É  um movimento em que qualidade pesa mais do que quantidade. A maioria de nós já comprou algo  para usar uma vez e nunca mais, seja porque a peça estava na promoção ou por impulso. O slow fashion busca a longevidade e o auto-conhecimento, para que possamos criar independência dos estímulos constantes que recebemos através dos meios de comunicação.

No slow fashion, também busca-se conhecer a origem das peças. Como se sabe, muitas empresas apelam para o trabalho escravo como forma de baratear os custos. Também há casos de distribuição de peças de baixíssima qualidade (aquelas que na primeira lavagem já ficam destruídas) e até com substâncias tóxicas no tecido.

Uma das primeiras vezes que li sobre esse conceito foi no blog  GWS, um dos meus preferidos. Uma das fundadoras do blog, Nuta Vasconcellos sempre foi referência para mim, nesse quesito e em muitos outros. Por isso, a convidei para falar um pouco mais sobre o assunto.

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MJ: Como você incorpora o slow fashion na sua vida?
 
Nuta: Eu acho que muita gente pensa que a única forma de praticar slow fashion é comprando de algumas marcas específicas ou vivendo um estilo de vida mega natural, orgânico, vegan… E isso não é verdade. Cada pessoa pode “desacelerar”de uma forma diferente, que combina com seu estilo de vida. Eu por exemplo, compro pouquíssima roupa. Tento ter peças básicas que combinam entre si. Tenho 3 calças jeans e 24 sapatos ao total (entre chinelos, salto, sandálias… todos os calçados) Comprar pouco, viver com pouco e usar minhas peças até elas ficarem velhas é uma forma que eu pratico slow fashion.
MJ: Muita gente acaba comprando só em lojas fast fashion porque os preços são menores. O que você acha disso? É possível praticar slow fashion gastando pouco?
 
Nuta: Eu não condeno. Eu também compro e cada um sabe aonde “o sapato aperta”. Infelizmente as marcas de slow fashion não possuem valores que cabem no bolso da maioria dos brasileiros. Um país que se ganha pouco, que está em crise, que se paga muito imposto. Além das facilidades de parcelamento e acesso fácil a moda. É possível praticar o slow fashion gastando pouco. Como eu disse antes, se voce compra em fast fashion, compre menos. Compre somente o que precisa, não caia na cilada das épocas de promoção que te fazem comprar o que você não precisa. Use essa peça até ela ficar velha ou se enjoar, faça um brechó, um bazar ou doe pra alguém que precisa. Não jogue no lixo ou deixe encostada no armário. Mantenha a peça circulando, em uso, útil. E faça SEMPRE o exercício antes de comprar: Eu realmente vou usar? Preciso? Posso comprar em uma loja que fabrica de forma mais consciente?
 
3) Você acha que o mercado da moda já começa a refletir conceitos como slow fashion e moda sustentável?
 
Isso é inegável. Não só as marcas de moda como de beleza também. Mas ainda estamos longe do ideal, mas caminhando. Nós como consumidoras temos que cobrar sempre essa consciência das marcas.
 
4) Com tantas tendências e inspirações espalhadas pela internet, o desejo de consumo aumenta bastante. Como você combate isso na sua rotina?
 
Me fazendo as perguntas: Eu realmente vou usar? Preciso? Posso comprar em uma loja que fabrica de forma mais consciente? Isso combina com quem eu sou? Por onde ando, minha rotina, aonde frequento? Sou muito racional na hora de consumir. Adoro moda, mas não sou vítima dela. E acho que o estilo de alguém não pode depender de tendências. E no final das contas, eu sempre prefiro gastar em um bom restaurante hahahaha.